DELEGAÇÃO LATINO-AMERICANA



RICCIARDO RICCIARDELLI: o barão mago

Quem me falou pela primeira vez do barão mago, na metade dos anos setenta, foi o amigo Placido Procesi, com acentos nos quais simpatia, consideração e cautela entravam com igual medida. O personagem deveria ser de qualquer modo levado a sério: certamente não era um caso que Kremmerz, êxule voluntário em Beausoleil, o tivesse repetidamente recebido entretendo-se com ele, quase de igual para igual, sobre alguns temas cruciais da filosofia hermética. De uma destas importante discussões sobrou um consistente indício em um artigo de Marco Daffi (era este o seu nome iniciático correspondente à transcrição italianizada do seu nome antigo Mőrkőhekdaph) intitulado Os avatares, que apareceu póstumo no nº32 do bimestral "Kemi-Hathor", de fevereiro de 1988.


(continua na página Kremmerz)


A VIDA DE MANLIO MAGNANI

Segue a segunda parte da "Vida de Manlio Magnani", escrita por Roberto Sestito, e que dedicamos aos irmãos de São Paulo que quiseram homenageá-lo dando o seu nome à primeira Academia brasileira. Esta "Vida" é a introdução da obra de Magnani "Supremo Vero". (Salilus)

Continuamos a nossa história.
Pouco tempo depois de ter chegado em Buenos Aires Magnani escreve a seguinte carta a Armentano (na foto), que como sabemos já morava em São Paulo:

"Caríssimo Armentano,...

(continua na página Magnani)


CARTA DE GIULIANO KREMMERZ A ABRAXA

Nesta carta a Ercole Quadrelli (conhecido com o nome Abraxa do Grupo de UR e com o nome Tikaipos, autor juntamente com Arturo Reghini da tradução e do comentário dos Versos de Ouro de Pitágoras) Kremmerz fala dos "Diálogos sobre o Hermetismo" que foram traduzidos em português e inseridos no IIIº Volume da "Ciência dos Magos" que será proximamente publicado. Kremmerz acena a alguns problemas organizativos da Fraternidade e às suas pessoais dificuldades no dirigir as Academias e os Círculos. Ao mesmo tempo dá conselhos para uma correta leitura dos seus escritos, exorta a um comportamento mais conforme à lei hermética do Amor e anuncia o retorno de Mamo Rosa Amru em um futuro não muito distante. (Salilus)


Beausoleil, 26.2.29

Egrégio Amigo Prof. Quadrelli,

Eu recebi a sua gentil carta do dia 22 deste mês. Eu já lhe disse que recebi a revista Ignis. Respondo sobre a parte que exprime a sua opinião.

Iº - A publicação destes diálogos, que você me deixa supor já ter lido, tem como objetivo expor as ideias fundamentais do hermetismo de maneira clara e concisa. Mesmo escrevendo claramente, eu compreendo quantos comentários estranhos, imaginosos, fantásticos e extravagantes podem provocar as minhas palavras, porque o simples, ou melhor o simplíssimo, é justamente aquilo que o leitor não adapta à sua compreensão. O Encaminhamento à ciência dos magos, que foi realizado com finalidades diferentes, em uma época muito mais confusa do que a atual, contém uma exposição cabalística, que se presta (e deve prestar-se) a comentários difíceis; este livro dos diálogos, ao contrário, é muito aberto para a inteligência comum, e a sua simplicidade o tornará difícil só àqueles que por conta própria queiram ver no fundo coisas não ditas. Eu não tenho como impedir que isto aconteça. Mas mesmo assim, achando justa a sua observação, na breve introdução chamarei a atenção do leitor para não confundir as suas investigações com as coisas simples que eu exponho.

IIº - Eu pedi para os meus amigos não venderem o livro. Quem o quiser é só pedir e o terá; quem quiser ajudar com as despesas, dê aquilo que quiser. Seria um erro querer ganhar dinheiro com este livro.

IIIº - A sua ideia sobre o círculo ou círculos, ou academias assim como foram organizadas, deu resultados muito relativos que é inútil analisar. Assim como faziam os antiquíssimos filósofos gregos, seria necessário um mestre em Roma, circundado por amigos e em um lugar cômodo; ou, peripateticamente, conversar sobre as nossas coisas, sem poses magistrais e sem gestos autoritários; discorrer, rir, sorrir, talvez comendo talharim da Irmã Felicetta. Cada um dos discípulos inteligentes, depois de um período de prática, deveria partir em missão apostólica para algum outro centro e fazer o mesmo. Fazendo assim Hermes seria servido alegremente. Para fazer isso, o mestre hoje deveria ter quarenta anos menos, e nenhuma necessidade pecuniária porque mesmo que fosse rico, não deveria preocupar-se com as suas riquezas. Por isso os filósofos eram pobres para poderem realizar as coisas que tinham que fazer; Contentavam-se com pão e queijo e com um pequeno espaço para dormir. Consegui me explicar? A sua ideia é minha em um sentido muito mais radical.
Conclusão – Façamos o melhor que se possa fazer; quando Mamo Rosa Amru retornar, tudo será possível, porque sobre as cinzas de Pompeia desabrochará o broto de uma nova flora.
Por favor me desculpe se lhe peço para modificar a sua opinião sobre pessoas amigas, porque você não conhece a história pessoal e psíquica de nenhuma delas; e por isso refere-se sempre à bondade da providência, que coloca novamente em contato os mortos quando voltarão a viver.
Eu o saúdo cordialmente
Seu amigo Formisano

P.S. Eu estava quase enviando a carta quando uma outra carta sua chegou na qual você conta a cena da conferência. Você vê como eu tenho razão de não querer estar entre pessoas que se combatem, como se o Hermetismo estivesse no mesmo nível de uma opinião partidária de pessoas interessadas em um sentido ou em outro. Antes do regime atual, eram feitas conferências políticas com opiniões contraditórias; de maneira que o público assistia polêmicas sobre teorias, que muitas vezes concluiam-se com socos e cadeiras jogadas para o alto. Como representar diante do público que escuta uma conferência, a nobreza de uma filosofia e de uma prática da vida humana, alcançar a perfeição, se o público assiste a um miserável espetáculo de inimizades, de cólera, de irritação, entre os sacerdotes da mesma filosofia? Se as coisas apresentadas desta maneira difamam as pessoas e a doutrina sobre a qual se faz propaganda, a quem devemos dar a culpa da pouca consideração dada aos escritores e às ciências ocultas?
Seria necessário entender que, escrevendo, imprimindo ou falando sobre hermetismo, chama-se a atenção do leitor sobre o método, sobre a forma, sobre a possibilidade de considerar o mundo de maneira diferente da multidão comum. Mas o hermetismo, como valor, se apresenta em ato nas obras e nas ações individuais. Aqueles que querem falar e explicar ao público, com critérios absolutos, o que é o hermetismo, como se fosse um tratado de aritmética ou de patologia, dão a primeira prova que não entendem nada sobre esta ciência, ou suposta ciência, e da qual assumem o sacerdócio. Dar, publicamente ou privadamente, exemplo de intolerância, de irritação, de divergências de opiniões, é a negação do princípio de amor. Com a atual cultura geral difundida, este bendito hermetismo precisa ser apresentado com belas palavras, com erudição, com um certo tom de autoridade científica, mas, realmente, deveria ser ensinado, com poucas palavras e educando com a prática e com o exemplo. Eu gostaria de ver a cara de Pitágoras, se redivivo assistisse a estas discussões, ou lesse artigos que fazem supor que o autor é um dos grandes mestres iluminados. Ensinar é doar, mas para doar é necessário possuir.
Então, para concluir, seria necessário não dar espetáculo de ódios, de irritação, de má vontade entre os estudiosos; e realmente, substancialmente, e de fato, sentir realmente amizade por todos aqueles que, de uma maneira ou de outra dão as suas forças intelectivas, com generosidade, à propaganda destes nossos estudos. Em outras palavras, sentir amor por todos (escrito com A maiúsculo). Initium sapientiae, non timor Domi, sed hominum.
Este latinorum é de um célebre alegre que gostava de todos os vícios da criação, e predicava a indulgência.
Eu te saúdo novamente.
Seu Formisano

 

O RITUAL ESOTÉRICO NO POEMA “INICIAÇÃO” DE FERNANDO PESSOA

(na página Academias)


Accademie Hermetiche Kremmerziane Unite

última atualização maio de 2016


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