DELEGAÇÃO LATINO-AMERICANA



É um erro colocar o sexo no centro de tudo.
A verdadeira felicidade está no amor para sempre

Na nossa época, tão favorável aos predicadores de todo hedonismo desenvolto, se é inclinado a associar alegremente a ideia do amor àquela do prazer, entendido sobretudo como gratificação sexual. Em alguns autores, que gozam hoje de muita fama, no centro do amor está colocado o princípio freudiano do prazer, subestimando aquele princípio da realidade que o próprio Freud tinha colocado como freio e contrapeso a qualquer imprudente e descuidada corrida do homem em direção da meta do hedonismo sexual.


(continua na página Kremmerz)


A SERPENTE EMPLUMADA

D. H. Lawrence é um homem livre. Quem seguiu a sua obra tem a sensação precisa de um homem que surge e que está consigo mesmo. É livre sobretudo diante dos seus leitores, não tem preocupações de prazer nem com uns, nem outros, e nem mesmo aquela de ser compreendido. Não explica – vai pelo seu caminho sozinho com a sua visão – sem distrair-se. Ele está sozinho com a sua visão, e esta, para aqueles que conseguem entendê-la, apresenta-se vivente e íntegra. E as suas criações possuem uma plenitude mágica.

(continua na página Magnani)


RECORDANDO CAMILLA PARTENGO

Setembro de 1970 – Setembro de 2016

Camilla Partengo nasceu em Florença em 1887, mas transcorreu a primeira parte da sua existência em Verona, a cidade natal de seus pais. O pai, general do exército, e a mãe, nobre pertencente à família Orsini, criaram Camilla segundo os princípios austeros da aristocracia romana. A condição abastada na qual Camilla se encontrava estimulou-a a desenvolver um forte senso de responsabilidade e uma inabalável coerência moral. Assim sendo decidiu aprimorar o próprio amor pelo estudo, a cultura e os valores do espírito.
Obtido o título de professora, Camilla Partengo começa a ensinar em uma Escola de Verona.
A primeira guerra mundial agitou a vida de milhões de pessoas, muitas famílias choram os seus mortos e Camilla não consegue ficar inativa diante dos deveres que a pátria impõe. Partengo passa a fazer parte da cruz vermelha e leva a sua ajuda nos hospitais das retaguardas e nas barracas de campanha. Os numerosos feridos encontram grande conforto nesta moça gentil, sensível e competente. Camilla fortalece o seu espírito sem deixar espaço à desilusão, mas tentando de todas as maneiras melhorar a condição de quem a circunda. Durante a guerra encontra e faz amizade com o pitagórico Arturo Reghini oficial de artilharia atraída pela tradição itálica e pitagórica cujos estudos em breve serão motivo da sua dedicação.
No final da primeira Guerra Mundial, Partengo manifesta a vontade de retornar aos estudos e transfere-se então para Bolonha. Bolonha, graças à sua Universidade garante um nível de instrução muito alto. Partengo inscreve-se na Faculdade de Física e, após anos de muitos sacrifícios, consegue se formar. O relator da tese é o grande professor Augusto Righi, que compreende as qualidades de Camilla e lhe propõe ajudá-lo como sua assistente. Os conhecimentos da recém formada são vastos e bem coadjuvados por uma paixão sem limites. Em Bolonha faz amizade com Enrico Salvi, um pitagórico discípulo de Amedeo Armentano e amigo de Arturo Reghini, que dirige na rua Castiglione a “Scuola Italica Quirico Filopanti”.
Em 1932 Partengo torna-se diretora da Escola Itálica Seção Quirico Filopanti de Brudrio, sucursal do Instituto de Bolonha. A Escola Média de Budrio é um laboratório sempre em evolução e animado por professores cultos, preparados e com uma grande inclinação para o ensinamento. Durante a Segunda Guerra Mundial a atividade da Escola não foi interrompida: Camilla adapta algumas salas da sua casa em Villa Giacomelli e continua a receber os estudantes.
Entre 1939 e 1940 Partengo oferece um cargo de professor na sua Escola ao velho amigo Arturo Reghini. O fundador da Escola Enrico Salvi tinha morrido em 1937.
O próprio Reghini fala sobre esta mudança para Budrio na sua última carta para Armentano do dia 21 de abril de 1946: “Em 1939 quando explodiu a guerra eu perdi de uma só vez todas as aulas particulares; eu escrevi para a Partengo contando tudo e ela aproveitou para fazer-me a precisa proposta de ir para Bolonha na Escola Itálica.
Dada a inutilidade e a precariedade da minha permanência em Roma eu aceitei a proposta para ver ser pelo menos era possível salvar aquilo que Salvi tinha construído. A escola ia mal em todos os sentidos, aquele econômico incluído. Fomos constringidos a sacrificar a escola de Bolonha e aquela de Molinello reduzindo-nos àquela de Budrio para a qual, vencendo não poucas insídias e dificuldades, conseguimos obter o reconhecimento legal. Sendo assim desde o verão de 1940 estamos em Budrio. Nos primeiros anos as coisas caminharam bem graças também à ajuda da Prefeitura. Depois o secretário do partido fascista republicano nos jogou com a força no meio da rua; e começaram as dificuldades e as hostilidades de todo tipo: os fascistas, as pessoas que ficaram sem casa, os alemães que se instalaram também em casa por dez meses e nos constringiram a fechar a escola (eu ganhei oitenta liras em um ano!) depois os bombardeamentos aéreos de dia e de noite e enfim o bombardeamento da artilharia inglesa e alemã por quatro dias e quatro noites ininterruptas. A nossa casa encontra-se em um cruzamento importante pouco distante de uma ponte sobre o rio Idice cujo forçamento decidiu a vitória. Só no lado leste existem mais de cem marcas de balas e de estilhaços; um carvalho de mais de um metro de diâmetro foi derrubado, e de sete banquinhos de pedra ficou só um; as árvores foram todas dilaceradas ou derrubadas e assim por diante. Não foi possível contruir refúgios dignos deste nome porque a um metro e meio de profundidade encontra-se água; deixar a casa equivalia a fazê-la destruir pelos alemães; no dia 18 de abril os alemães estavam esperando o escuro da noite para deixar-nos definitivamente e Milla tinha aberto o portão para permitir ao caminhão deles levá-los embora, quando um estilhaço de projetil feria Camilla no pescoço a poucos metros de mim. Imediatamente correu um alemão que devia ser pelo menos um enfermeiro e embaixo de balas e com a luz de uma péssima vela, enfaixou-a fazendo parar a hemorragia e dizendo que ocorria levá-la para o hospital (tinha uma lesão no nervo do braço como soubemos depois); tudo isso eu pude entender mais ou menos. Depois os alemães partiram e o bombardeamento continuou. Mais do que nunca era impossível deixar a casa com uma mulher ferida e as ruas e os campos borbardeados com granadas.
Além de tudo isso os aviões não nos deixaram em paz e nem te digo quantas vezes eu milagrosamente me salvei.
Um quarto de boi tinha sido encontrado no meio da rua mas não foi possível cozinhá-lo porque fomos constringidos a nos proteger naquele que parecia ser o cômodo menos exposto. Na manhã do dia 20 em uma grande paz improvisa surgia um amanhecer lívido nas ruas e nos campos desertos, depois às 9 horas chegaram os neozelandeses e começou o bombardeamento alemão particularmente raivoso. Fomos para um cômodo na parte oposta e um enorme carro armado nos protegia do lado da janela; eu dormi tranquilamente, até roncando pelo que me parece. Eu nunca perdi a calma e a tranquilidade e acho que este perfeito equilíbrio e harmonia tenha tornado possível a percepção que tive da chegada dos ingleses com uma intuição do tempo diferente da normal; e na qual os eventos me foram apresentados enquanto efetivamente se desenvolviam como já vistos e vividos sub specie aeternitatis. Os ingleses ficaram poucos dias; depois ficamos sozinhos, sem água, sem luz e com a casa destruída, você nem pode imaginar o estado dos vidros e a quantidade de buracos nos muros.
Milla teve que ir para o hospital em Bolonha; eu reabri a escola. Depois começou a história das vítimas do desastre, do aumento dos preços e das hostilidades por parte dos comunistas que veem em nós uma escola particular que desfruta do povo e que ocorre combater”.
Reghini morreu em julho de 1946 na casa da Partengo em Budrio. Foi a própria Camilla a dar a notícia a Armentano no Brasil da morte do seu discípulo com a seguinte carta:
Caro Professor, o Sr. talvez já saiba através de Guerrieri ou de outros amigos do Prof. Reghini que ele morreu no dia 1º de julho de 1946, e talvez saiba diretamente por ele que era meu hóspede e ensinava na Escola Média “Filopanti” de Budrio, fundada pelo defunto comum amigo Prof. Enrico Salvi. Eu posso bem dizer que tenho sorte por ter vivido junto com ele em devota amizade e admiração. Ele sempre trabalhou com inflexível tenacidade para terminar (e conseguiu) a sua genial obra de matemática, não se importando com perigos e desconfortos de guerra. Ele ficava por horas e horas na sua mesa de trabalho, impassível também quando as grandes formações aéreas de bombardeiros voavam sobre a nossa casa à procura do objetivo bélico constituído por uma ponte sobre o rio Idice, a pouca distância de nós. Ele era o exemplo daquela calma espiritual própria de quem vive em um mundo superior e não teme nada. Depois da sua morte vieram amigos e parentes: os primeiros a prestar as devidas honrarias e os outros para pegar aquele pouco que ele tinha deixado, de roupas pessoais e outros objetos. Para a publicação da Obra de Arturo logo será publicado só o resumo, traçado pelo próprio Arturo. Arturo deixou por escrito a tarefa da revisão do trabalho ao amigo, valoroso matemático, prof. Del Guercio Alfonso Rua G. Giusti, nº 10 – Florença. O outro amigo de Arturo, Giulio Parise residente em Roma – Rua Gallia nº 52 – ocupa-se da impressão deste resumo que entanto serve para estabelecer a prioridade das ideias e das fórmulas encontradas por Reghini. A publicação integral será feita quando será possível arcar com a enorme despesa, ou quando um dos Institutos Culturais italianos assumirá a responsabilidade. Ao amigo Guerrieri, que eu vejo de vez em quando, eu passarei a sua carta do dia 11 de agosto passado, se o Sr. me autoriza a fazê-lo. Eu lembro do nosso encontro em Florença, presente Salvi que me conduziu ao Sr. no distante ano de 1913. Sei que também o Sr. se lembra de mim e retribuo as saudações com votos de bem para o Sr. e a sua Família. Depois da morte dos prezados amigos, Salvi e Reghini, eu continuo a minha modesta obra de Professora e de Diretora na Escola Média “Filopanti” de Budrio; o período que atravessa presentemente a escola não é dos melhores, mas a fé e a coragem não faltam, como não me falta a ajuda moral dos bons amigos de Arturo e de Salvi. Com o tempo eu me transferirei, provavelmente para Roma, com a Escola ou sem, de acordo com as circunstâncias, e lhe avisarei. Esperando um seu escrito, renovo-lhe os votos e saudações cordiais. Camilla Partengo.”
No final da guerra, Partengo decide porém dedicar-se completamente à Escola e a todos aqueles que queiram instruir-se. Camilla, muitas vezes sem pagamento, ajuda numerosos estudantes e pessoas maduras que desejam ter acesso à cultura. A física, a astronomia e a matemática continuam sendo as matérias mais apaixonantes, mas Camilla distingue-se também como defensora da obra da Dante Alighieri (sociedade que propõe-se como objetivo a difusão da língua e da cultura italianas no mundo).
A parte conclusiva da vida de Camilla é marcada pela dificuldade econômica. A este ponto os seus ex-professores, ex-alunos e a comunidade de Budrio decidem contribuir para providenciar a ida da Sra. Partengo para uma casa de repouso de Casalecchio. Através desta nobre e necessária ação a grande professora pode transcorrer os últimos anos da sua existência, que termina de maneira serena em setembro de 1970. (Salilus)

AROM

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS

(na página Academias)

Accademie Hermetiche Kremmerziane Unite

última atualização outubro de 2016

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