DELEGAÇÃO LATINO-AMERICANA



 

A ORDEM EGÍPCIA

A Ordem Egípcia afunda as suas raízes na colônia grega dos Alexandrinos que era estabelecida em Nápoles, na área circunstante rua Nilo e a homônima pracinha. Através dos séculos os cultos egípcios adaptaram-se à linha mágico-hermética e àquela pitagórica, dando vida ao Hermetismo Itálico e com este à corrente iniciática que chegou ininterrupta até o século XX. Raimondo Lullo, o grande hermetista, aluno de Arnaldo de Villanova, foi iniciado na alquimia por uma confraria que estava em Nápoles. Os próprios Giordano Bruno e Tommaso Campanella, grandíssimos expoentes do hermetismo itálico da Renascença, tinham realizado o próprio noviciado no convento de San Domenico Maggiore, que encontra-se justamente no final da rua Nilo. Outros ilustríssimos hermetistas, como Giovanni Pontano, Antonio Allegretti e Giovan Battista della Porta, gravitaram entorno a esta ordem napolitana. (na esq Lebano)


(continua na página Kremmerz)


A VIDA DE MANLIO MAGNANI

Última parte

A Fraternidade Hermética – As instruções – Os escritos

Magnani transfere-se para São Paulo (na img São Paulo nos anos '30) em 1937 com a esperança de encontrar um trabalho e colocar em prática os seus conhecimentos profissionais no campo do ar condicionado.
Na metrópole brasileira encontra os amigos fraternos Amedeo Armentano e Giulio Romeo com os quais forma o cenáculo espiritual para o desenvolvimento dos estudos herméticos.

O grupo de Buenos Aires mantém-se vivo e operante frequentado por um certo número de companheiros bem encaminhados nas práticas da escola.

(continua na página Magnani)


 

O PROGRAMA DO GRUPO DE UR

Na vida de alguns homens existem momentos, nos quais estes sentem vacilar todas as suas certezas, desaparecer todas as suas luzes, silenciar as vozes das paixões e dos afetos e de tudo aquilo que animava e movia as suas existências. Reconduzido ao próprio centro, o indivíduo adverte então claramente o problema de todos os problemas: Quem sou, eu?
Surge então, quase sempre, também o sentido que tudo aquilo que se faz não só na vida comum, mas também no campo da cultura, no fundo serve só para distrair-se, para criar-se a aparência de um objetivo, para ter alguma coisa que permita de não pensar profundamente, para velar a si mesmo a obscuridade central e para subtrair-se à angústia existencial.
Depois existe quem desvia. O problema existencial, que ele sentiu, para ele impotente para assumi-lo inteiramente – torna-se “problema filosófico”. Outros, porém, continuam firmes. Alguma coisa de novo e de irrevogável determinou-se em suas vidas. O círculo que se fechou entorno deles, deve ser rompido. Eles destacam-se das fés, destacam-se das esperanças. Querem dissipar a neblina, abrirem-se um caminho. Conhecimento de si e, em si, do Ser é aquilo que eles procuram.
Este é um dos modos com os quais, sobretudo na época moderna, algumas pessoas podem aproximar-se das disciplinas que, geralmente, são designadas como iniciáticas. Outros, ao contrário, são conduzidos ao mesmo ponto de uma espécie de recordação e de natural dignidade, suscitante a sensação clara que este mundo não é o verdadeiro mundo, que existe alguma coisa de mais alto do que esta percepção dos sentidos e daquilo que vem do humano. A visão direta da realidade, como em um completo despertar, é aquilo que eles aspiram.
Além do intelecto raciocinante, além das crenças, além dos sentimentos, além daquilo que hoje vale geralmente como cultura e como ciência, existe um saber superior. Neste cessa a angústia do indivíduo, neste dissipa-se a obscuridade e a contingência do estado humano de existência, neste se resolve o problema do ser.
Este conhecimento é transcendente também no sentido que este pressupõe uma mudança de estado. Pode ser conseguido só transformando um modo de ser em um outro modo de ser, mudando a própria consciência. A qual não conhece “problemas”, mas só tarefas e realizações.
Eis porque é necessária a força de colocar de lado tudo, de destacar-se de tudo. A mudança da própria estrutura mais profunda é aquilo que só conta para o conhecimento superior. Este conhecimento – o qual é sabedoria e potência – é essencialmente “não-humano” e chega-se a ele através de um caminho que pressupõe a superação ativa e efetiva, ontológica, da condição humana.
Isto não impede que este saber diferente e superior exista. Bem mais do que a crença predominante no Ocidente, o ensinamento, do qual se trata, pode ao contrário usar como próprio o ditado: quod ubique, quod ab omnibus et quod semper. A ele corresponde uma tradição única, que em várias formas de expressão pode ser encontrada nas tradições de diversos povos: às vezes como sabedoria de antigas elites reais ou sacerdotais, às vezes como conhecimento ofuscado por símbolos sagrados, mitos e ritos cujas origens perdem-se em tempos primordiais, às vezes como escritos alegóricos, mistérios e iniciações, como teurgia, yoga ou alta magia e, nos tempos mais recentes, como sabedoria secreta de correntes subterrâneas afloradas aqui e ali entre as tramas da história ocidental, até os Hermetistas e os Rosacruzes.
Aqui a uma metafísica contrapõe uma técnica a qual, mesmo não tendo nada a ver com forças e fenômenos exteriores, dirigindo-se para as energias mais profundas do ser humano, possui o mesmo caráter objetivo e experimental das assim ditas ciências exatas. Esta “técnica divina”, tradicional no sentido superior, oferece possibilidades reais a quem, após a crise profunda acenada acima, tenha encontrado em si a capacidade de superá-la positivamente e de distacar-se de tudo aquilo que é somente humano.
Em particular trata-se também de fazer com que o corpo inteiro torne-se um instrumento da consciência que, superando a limitação individual, deverá penetrar nos estratos onde agem as forças profundas de um eu superior: até encontrar a entrada da via que conduz ao “palácio fechado do Rei”.
A presente coleção de monografias entende dar informações, sugestões e endereços de tal ciência secreta. Foi seguido o critério de evitar o mais possível todo discorrer entorno das coisas e dar, ao contrário, a essência, sem negligenciar nada para fazer com que se entenda distintamente. O conhecimento superior é, absolutamente, experiência. Mas tudo aquilo que é experiência torna-se inteligível só no pressuposto de se ter uma experiência análoga. Toda comunicação escrita, ou melhor tipográfica, encontrará sempre um limite.
Nós limitaremos a matéria a:

  1. Exposição de métodos, de disciplinas, de técnicas.
  2. Relações de experiências efetivamente vividas.
  3. Republicação ou tradução de textos, ou partes de textos, raros ou pouco conhecidos, das tradições do Oriente e do Ocidente, oportunamente esclarecidos e anotados e apresentados para que estes possam fornecer orientações e abrir novas prospectivas.
  4. Enquadramentos doutrinais sintéticos, aptos a remover a imagem rígida do homem, do mundo e da vida vinda para prevalecer com a civilização moderna, para servir de pano de fundo para a prática e esclarecer os seus pressupostos.

As várias monografias são tais que se completam mutuamente. Normalmente, estas são tão ordenadas, que precedentemente já foram dados todos os elementos necessários para a compreensão adequada de cada uma delas. Os colaboradores assumiram, amplamente, partes orgânicas de uma tarefa única, retomando, integrando ou desenvolvendo de maneira diferente, mutuamente, as coisas ditas por cada um.
Seguindo um costume que encontra-se seja no Oriente antigo que nas nossas escolas, entre os Pitagóricos como entre os Hermetistas, nas organizações iniciático-corporativas e nos Rosacruzes; acreditou-se ser oportuno usar o princípio da anonimia dos colaboradores. Isto, porque aquilo que estes podem dizer de válido reflete um ensinamento superindividual, objetivo. E foi foi preocupação daqueles que, a seu tempo, dirigiram a organização deste grupo de monografias fazer com que estas sintam o menos possível das particulares correntes que um ou outro autor pode ter sentido como mais familiares, que as exposições foquem ao contrário nas “constantes” presentes em toda autêntica disciplina iniciática.
No máximo, aqui poderá ser encontrada aquela disciplina que no título dos presentes volumes aparece com o termo “magia”. Será possível ver que, mais do que referir-se àquilo que na própria antiguidade foi entendido com uma tal palavra, “magia”, a este respeito, assume um sentido traslado, marca somente uma assunção particularmente ativa – comum mais ou menos a todo o grupo dos colaboradores – das disciplinas tradicionais e iniciáticas. Além disso, é de Roger Bacon a definição da magia como “metafísica prática”.
E aos colaboradores, também é comum uma precisa rejeição das variedades daquilo que hoje entende-se por “espiritualismo”: do espiritismo vulgar até o teosofismo angloindiano, ao “ocultismo”, à antroposofia e a tantas outras correntes semelhantes. Em tudo isso nós vemos deviações, que com o autêntico ensinamento iniciático tradicional não tem nada a ver, uma mistura híbrida de fragmentos de verdades antigas, de deformações mentais modernas, de fluxos visionários e de péssima filosofia, além de uma mistura moralística cristianizadora e evolucionístico-humanitária. Foi uma grande preocupação daqueles que organizaram estes volumes dar ao leitor o sentido mais preciso de um destaque destas formas confusas e contrafeitas, que refletem só o marasmo, a falta de princípios e o confuso impulso à evasão da época.
O leitor da presente obra dificilmente poderá encontrar em outros lugares uma quantidade de ensinamentos elevado igual a esta, dados com precisão e clareza.
Será ele a decidir, até que ponto entende restringir-se à simples leitura para informação ou até que ponto, descobrindo uma vocação superior precedentemente só obscuramente sentida, entenda ousar, operar e silenciar. É ensinamento iniciático, portanto, que aqueles que com uma íntima, férvida seriedade tentam, dificilmente serão deixados sózinhos. É então possível que para eles aquele com “Ur” seja só um primeiro contato e que outros poderão seguir, em diferentes níveis, no momento certo; para aqueles que, deixada enfim uma margem, mesmo que ainda presos pelas “águas”, já tendem para a outra.

O RITUAL ESOTÉRICO NO POEMA "INICIAÇÃO" DE FERNANDO PESSOA

(na página Academias)


Accademie Hermetiche Kremmerziane Unite

última atualização junho de 2016


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