DELEGAÇÃO LATINO-AMERICANA

Apresentação do livro A CIÊNCIA DOS MAGOS Volume I°
(São Paulo - Livraria Martins Fontes Paulista - 6-3-2015)


Boa noite a todos,
a minha intenção é dividir a apresentação do livro de Giuliano Kremmerz A CIÊNCIA DOS MAGOS em duas partes:
1)Na primeira parte desejo falar sobre o autor.
2)Na segunda parte tentarei expor com poucas palavras os conceitos utilizados pelo autor para explicar a oculta ciência hermética.
A biografia de Kremmerz pode ser lida com detalhes no livro, sendo assim prefiro contar aqui alguns fatos de sua vida que considero muito importantes e que darão a possibilidade a todos de conhecer melhor um homem tão misterioso.
(continua na página Kremmerz)


INFLUÊNCIA E VESTÍGIOS DAS CIÊNCIAS ESOTÉRICAS EGÍPCIAS EM NÁPOLES

"Um dia os deuses que exerceram domínio sobre a terra, serão restaurados e instalados em uma cidade no extremo confim do Egito, uma cidade que será fundada em direção do sol que se põe e na qual acorrerá, por mar e por terra, a inteira raça dos mortais". (Asclepius, texto do Corpus Hermeticum)

Outras poucas culturas, antigas e modernas, exerceram tanta influência sobre o Ocidente como aquela do Antigo Egito, com o seu imenso patrimônio de sugestões, crenças religiosas, arte, conhecimentos científicos e, não último, doutrinas esotéricas.
Verificando quanto a cultura egípcia tenha permeado naquela ocidental e demonstrando que tal influência vai muito além da moda de uma época, é suficiente pensar a quanto já o mundo da Grécia Antiga e de Roma sentiram o fascínio da "Terra Negra", terra de sábios e de ciência; em como o mito de Ísis e Osíris tenha sido importante para o nascimento das religiões sucessivas; ao véu de mistério que ainda circunda os segredos das pirâmides e a língua dos escribas etc.
Ainda hoje a cultura moderna inspira-se muito no imaginário do Antigo Egito no que se refere à música, à arte, à arquitetura, à literatura, ao cinema etc. repropondo em chave nova as sugestões e as riquezas de uma cultura complexa, refinadíssima e milenária.


(continua na página Magnani)


Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim: O que é magia, em quantas partes se divide e quais os requisitos que deve possuir quem a professa

A magia é uma ciência poderosa e misteriosa, que abraça a profundíssima contemplação das coisas mais secretas, a natureza destas coisas, a potência, a qualidade, a substância, a virtude e o conhecimento de toda a natureza; nos ensina de que maneira as coisas difiram e concordem entre elas, produzindo assim os seus maravilhosos efeitos, unindo as virtudes das coisas com a sua mútua aplicação e unindo e dispondo as coisas inferiores passivas e congruentes com os dons e virtudes superiores.
A Magia é a verdadeira ciência, a filosofia mais elevada e perfeita, em breve a perfeição e a realização de todas as ciências naturais, porque toda a filosofia regular divide-se em Física, Matemática e Teologia.
A Física nos revela a essência das coisas terrenas, as suas causas, os seus efeitos, as suas estações, as suas propriedades, anatomiza as suas partes e procura aquilo que possa concorrer para torná-las perfeitas, segundo estes interrogativos:
Quais elementos compõem as coisas naturais? Qual é o efeito do calor? O que são a terra e o ar e o que produzem? Qual é a origem dos céus? Do que dependem as marés e o arco-íris? Quem empresta para as nuvens o poder de gerar os raios que rasgam o ar? Qual é a força oculta que faz vagar pelos céus os cometas e faz com que a terra entre em convulsão? De onde vêm as mineiras de ouro e de ferro?
A Física, que é a ciência especulativa de todas as coisas naturais, responde a todas estas perguntas.
A Matemática nos faz conhecer as três dimensões da natureza e nos faz compreender o movimento e o caminho dos corpos celestes. E, como diz Virgílio:
…porquê o Sol governe o mundo com os doze signos, porquê as Plêiades e as duas Ursas e todas as outras estrelas percorram as vias do céu, porquê nos seja permitido ver os eclipses de Sol e de Lua, porquê o Sol se ponha cedo no inverno e faça com que as noites sejam longas.
Além disso a Matemática nos permite prever as mudanças do tempo e nos faz conhecer as estações mais propícias para a semeadura e para a colheita e quando seja oportuno navegar ou derrubar as árvores nas florestas.
A Teologia nos faz compreender o que é Deus, a mente, os anjos, as inteligências, os démons, a alma, o pensamento, a religião, os sacramentos, as cerimônias, os templos, as festas e os mistérios. Esta trata da fé, dos milagres, da virtude das palavras e das imagens, das operações secretas e dos sinais misteriosos e, como diz Apuleio, nos ensina as regras das cerimônias e quanto a Religião nos ordena nos permite e nos proibe.
A Magia recolhe em si estas três ciências tão fecundas de prodígios, as funde e as traduz em ato.
Por isso com razão os antigos a consideravam a ciência mais sublime e mais digna de veneração.
Os autores mais célebres aplicaram-se nela e a revelaram e entre estes distinguiram-se muito Zamolxis e Zoroastro, tanto que foram considerados por muitos os inventores desta ciência. Abbaris, Charmondas, Damigeron, Eudóxio, Hermippus seguiram as pistas que eles deixaram, assim como outros ilustres autores, entre os quais citamos Mercúrio Trismegisto, Porfirio, Giamblico, Plotino, Proclo, Dardano, Orfeu de Trácia, o grego Gog, Germa o babilônio, Apolônio de Tiana e Osthanes, do qual Demócrito de Abdera comentou e fez conhecer as obras que estavam sepultadas no esquecimento. Além destes Pitágoras, Empédocles, Demócrito, Platão, e outros sumos filósofos, fizeram longas viagens para aprendê-la e quando voltaram demonstraram quanto a estimavam e a conservaram zelosamente escondida. Sabe-se também que Pitágoras e Platão convidaram sacerdotes de Mênfis para aprendê-la com eles e que visitaram quase toda a Síria, o Egito, a Judeia e as escolas Caldeias para não ignorarem os seus grandes e misteriosos princípios e para possuir esta ciência divina.
Aqueles então que quiserem dedicar-se ao estudo da Magia, deverão conhecer a fundo a Física, que revela as propriedades das coisas e as suas virtudes ocultas; deverão ser doutos em Matemática, para indagar os aspectos e as imagens dos astros, dos quais originam-se as propriedades e as virtudes das coisas mais elevadas; e enfim deverão entender bem a Teologia que dá o conhecimento das substâncias imateriais que governam todas estas coisas. Porque não pode existir nenhuma obra perfeita de Magia, e nem mesmo de verdadeira Magia, que não abrace estas três faculdades.

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Ultima atualização: abril de 2015

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