DELEGAÇÃO LATINO-AMERICANA



OPUS MAGICUM: AS CADEIAS

A finalidade das cadeias mágicas é a de formar uma força fluídica coletiva, potencialmente maior do que aquela de que poderia dispor cada um dos componentes operando isoladamente, e assim poder ser utilizada por cada indivíduo participante. Uma cadeia se forma pela “sintonia” dos elementos componentes, quando existe a identidade ou a correspondência, conforme a lei dos números, da atitude interior ou do rito praticado por mais pessoas, seja operando conjuntamente em recolhimento, seja operando em locais diferentes, ainda que uma não saiba da outra, contanto que sejam rigorosamente observadas as normas dos tempos e dos ritos. Uma cadeia pode ser formada intencionalmente e cerimonialmente quando uma ou mais pessoas estabeleçam sua finalidade e determinem adequadamente o rito conforme as normas tradicionas. É também possível a formação espontânea de uma cadeia, assim como é possível que uma pessoa pertença de fato a ela e não o saiba. Neste caso, a condição é uma correspondência de vibrações sutis, que por si só basta para estabelecer o estado de relação e que prescinde de distâncias espaço-temporais.


(continua na página Kremmerz)


OPUS MAGICUM: A CONCENTRAÇÃO E O SILÊNCIO

A possibilidade de chegar a uma completa realização teúrgica e mágica se baseia no conhecimento direto e experimental, que possua o operador, de potências espirituais que constituem a íntima essência da realidade, a cujo conhecimento se chega cumprindo com um rito que auxilia a desocultar as próprias faculdades, desconhecidas ou demasiadamente descuidadas. Aquele que, tendo escolhido a via a seguir, é forte em si mesmo e se encontra seguro de que sua vontade será dura e firme contras os incontáveis obstáculos que encontrará no caminho, não será arrebatado jamais por um único momento de debilidade; de tal modo que ele abrogue as normas estabelecidas, e que tenha início o rito.

(continua na página Magnani)


METEMPSICOSE, PALINGENESIA, METACOSMESE, TRANSMIGRAÇÃO, PEREGRINAÇÃO, REENCARNAÇÃO...

Todos sabem dizer que Pitágoras ensinava a metempsicose; mas atrás desta palavra normalmente está um conceito muito mal definido e toda uma confusão entre metempsicose, palingenesia, metacosmese, transmigração, peregrinação, reencarnação...A majoria identifica a metempsicose com a metacosmese universal, em outro lugar diz que o próprio Pitágoras chamou palingenesia das almas (palingenesia) o dogma que a posteridade mais comumente designou com o nome de metempsicose. “Pitágoras disse que existia não a metempsicose, mas a palingenesia”; mas Rhode (Psyche II, pág. 426 edição Laterza) diz que a expressão metempsicose que nós usamos mais comumente, é justamente a menos usada pelos gregos. Observamos depois que uma coisa é a palingenesia e outra é a palingenesia das almas ou as palingenesias da alma. Na nossa opinião a palingenesia, ou seja o renascimento pitagórico, deve ser conectada ao conceito órfico pitagórico do corpo prisão e à possibilidade da alma que “só em casos excepcionais consegue (antes de ser liberada com a morte) revelar-se, na forma de um “conhecimento superior” do qual são poucos os privilegiados: que acontece às vezes nos sonhos proféticos, na excitação estática, no furor báquico”. A palingenesia para a qual Pitágoras preparava os discípulos era aquela dos mistérios de todos os tempos e de todos os lugares, chamada justamente renascimento....Esta excepcional liberação da consciência dos vínculos e das limitações da consciência corpórea traz consigo um dom reconhecido em um modo especialíssimo a Pitágoras, que na terminologia órfica, pitagórica e platônica leva o nome da famosa anamnese, a memória mística que permite o conhecimento. Na concepção escatológica órfica e na correspondente alegoria cerimonial dos mistérios a anamnese era obtida bebendo as águas frescas de Mnemosine (a memória), ao invés daquelas do esquecimento (Letes);  e se conseguia naturalmente o conhecimento da aletéia (a verdade). Pitagoricamente o discípulo tentava assimilar-se e identificar-se com Deus, e entende-se que quando se chegava à esta assimilação ou até mesmo antes disso, a consciência humana conquistava um sentido superior da própria continuidade e a possibilidade de recordar-se.

Mas justamente por isso quando Pitágoras ou Empédocles falam sobre as suas recordações de outras existências é necessário que se entenda que o eu ao qual se referem não é o eu humano mas o eu cósmico, e as suas afirmações devem ser consideradas sob este aspecto especial e essencial.

Ver nesta afirmação que a lenda atribui a Pitágoras a prova que a palingenesia ensinada por ele era a metempsicose vulgarmente entendida, e do caso especialíssimo de Pitágoras sentir-se autorizado a atribuir-lhe uma generalização de tal teoria a todos os homens com base em um postulado democrático e por isso não pitagórico, e confundir a palingenesia iniciática com o processo cósmico da transformação e conservação universal da energia e da matéria, significa entender mal o “Verbo de Pitágoras” nos seus elementos mais importantes. Que historicamente tenha-se verificado uma tal confusão é perfeitamente compreensível, porque o conceito da palingenesia iniciática não é tão fácil de ser compreendido mesmo porque para se ter uma ideia clara é necessária alguma especial experiência interior, sem a qual as palavras que o exprimem serão sempre flatus vocis. O conceito simplicista da reencarnação, tipo espírita ou teosófico, é por sua vez um conceito no qual todos se iludem de entender alguma coisa sem forçar o cérebro. 

Também o tema da abstinência das carnes que não é separável do conceito da metempsicose deve ser entendido não como foi entendido ou seja que não se deve comer carnes dos animais porque estes poderiam ser a reencarnação dos nossos parentes ou amigos em existências precedentes, mas como simples prática catártica que tem como objetivo, como a prática da castidade durante os mistérios, facilitar a atuação da palingenesia, tarefa que não deve ser menosprezada. Seria necessário pensar na dieta dos templarios e no vegetarianismo dos teósofos, que não são determinados pelo medo de comer os próprios parentes e amigos, para reconhecer que a abstenção das carnes está ligada não à crença na metempsicose mas ao conhecimento prático das condições da palingenesia.Nesta nossa compreensão e interpretação da metempsicose pitagórica não concordamos, bem o sabemos, com os espíritas, ocultistas, martinistas, teósofos e hoc genus omne; porém concordamos com os antigos hermetistas. Jean d’Espagnet por exemplo (Enchiridion Physicae restitutae 3 ed. Rothomagi 1657, pág. 139) diz que a metempsicose pitagórica não tinha sido compreendida; e Olao Borricchio, citado no Dictionnaire mytho-hermétique de Antoine Joseph Pernety (Paris 1758) no item Metempsycosis, define assim a metempsicose: “Translação da alma de um ser vivente para o corpo de um outro ser que não era vivente senão em potência. Diz-se que Pitágoras tirou inspiração da Metempsicose junto aos sacerdotes no Egito, e isto é verdade; mas os adeptos da filosofia hermética dizem que tenha sido mal explicado este sistema de Pitágoras, e que ele atribuiu a esta palavra um sentido que não possuía. Os sábios do Egito ensinaram a Pitágoras a transmutação metálica, que este filósofo tratou em seguida enigmaticamente em suas obras. Aqueles que não conheciam a Grande Obra entenderam tudo aquilo que ele tinha escrito segundo o sentido apresentado literalmente e não segundo o espírito. A ideia de Pitágoras era aquela de fazer entender que o espírito, ou aquilo que constitui a alma dos metais perfeitos, passava com a transmutação no chumbo, no ferro, e nos outros metais imperfeitos, e os tornava diferentes daquilo que eram antes”.

Arturo Reghini

A SERPENTE EMPLUMADA


(na página Academias)

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última atualização janeiro de 2017

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