DELEGAÇÃO LATINO-AMERICANA



ASTROLOGIA

As cartas que chegam de muitos leitores sobre experimentos que deram certo após os conselhos dados por mim relativos à astrologia, eu acho que não seja útil publicar porque, afinal, eu não quero concorrer com os astrólogos que fazem a profissão de estar cara a cara com as estrelas mais luminosas, nem usurpar a fama do Barbanera de Foligno ou de Rutilio Benincasa. Eu me ocupo de astrologia só pela amizade da qual me honram dois ou três estudiosos, que por medo que este nosso simpático público que dá facilmente o diploma de charlatão para quem o merece e para quem não o deseja ria deles, ficam apartados.


(continua na página Kremmerz)


CONHECIMENTO E PENSAMENTO

A origem e o uso das palavras "conhecimento" e "pensamento" não tem mistérios: de maneira mais ou menos correta são conhecidas seja pelas pessoas cultas seja por aquelas menos eruditas.
Sobre a origem das duas palavras a etimologia e a filologia nos ajudam, mas sobre o uso das mesmas a explicação fica mais controversa e difícil.
Na magia as duas palavras são explicadas e usadas de maneira diferente daquela do uso comum. Com isso eu não quero dizer que seja melhor ou pior: é necessário recordar que é diferente e que tal diferença baseia-se nas próprias finalidades da vida mágica.

(continua na página Magnani)


Uma página de história da Fraternidade de Myriam

VINCI VERGINELLI RELATA…

Para mim naquela manhã tratava-se de decidir-me finalmente a começar a escrever. Escrever: "de modo que a morte não nos surpreenda em um torpe ócio", usando as palavras que no seu último período de vida escrevia a um amigo da região dos Abruzos, don Benedetto, como amava ser chamado pelos íntimos Benedetto Croce. Escrever… um catálogo. Um catálogo para acompanhar a doação que eu tinha decidido fazer da mia Coleção de antigos textos herméticos (séculos XV-XVI-XVII-XVIII) para a Biblioteca Nazionale dei Lincei, que é a instituição de mais alto nível cultural, que honra a Itália e todo o mundo admira. A solecitar-me em tal propósito foram as palavras distantes lidas e nunca esquecidas que por décadas e décadas aninhavam-se dentro de mim. Lendo a revista "Commentarium" (nº3, pág.68) (1) um estudo sobre Francesco Borri escrito por um insigne hermetista, que escondia-se atrás do pseudônimo N.R. Ottaviano, eu descobri que o autor lamentava que "na Itália faltava até mesmo um catálogo de alquimistas italianos nas bibliotecas públicas e privadas investigadas". Assim deprecava Ottaviano no ano de graça 1910. Tal deprecação quase com as mesmas palavras, quase com a mesma preocupação, tantos anos depois eu ouvi de Giuliano Kremmerz que de Ottaviano era muito amigo. Eu conhecia Kremmerz desde 1921, quando eu tinha sido apresentado a ele por seus íntimos amigos Borracci e Moggia. Eu tinha esperado anos por um seu convite. Depois improvisamente em dezembro de 1929 ele escreveu-me dizendo que me esperava depois do Natal em Beausoleil, onde morava há anos. Eu corri. Eu levava comigo, como ele por carta tinha me pedido, os dois grandes volumes de Jean Jacques Manget pegos emprestados de uma biblioteca florentina: ele me diria quais os tratados "de boa qualidade" ele queria que eu traduzisse. Ele preferia os pequenos tratados. Foi naquela ocasião, que Kremmerz conversando sobre tantas coisas, entre outras coisas falou também das deploráveis condições bibliográficas dos estudos sobre a alquimia na Itália e pareceu-me que me incentivava a ocupar-me de um catálogo de textos alquímicos nas bibliotecas públicas e privadas italianas, por exemplo a Biblioteca Filosófica Florentina (2) que eu conhecia particularmente, porque a frenquentava com assiduidade durante o período florentino dos meus estudos (1921-1925). Ele falava. Eu, próximo a ele, tácito escutava. Eu não estava acreditando que fosse realmente Kremmerz a falar comigo, e que passeávamos juntos pelos jardins de Beausoleil. Ainda tenho a impressão de vê-lo, de ouvi-lo falar. Sempre caloroso, sempre amoroso, muitas vezes napolitanamente brincalhão, raras vezes hierofante. "O maior mestre de hermetismo dos nossos tempos. E entre os maiores de todos os tempos". Todo luz de "sabedoria, amor e virtude". (Dante) O Mestre, e aquela encantada manhã de dezembro de 1929. Pouco tempo depois improvisamente ele nos deixou. Talvez tenha sido assim que naquela manhã nasceu em mim a primeira ideia de um catálogo. Ideia bela mas vaga, incerta, tanto que depois pareceu desaparecer. Porém renascia de vez em quando. Somente depois, por ocasião da doação dos meus livros à Academia dos Linces, a ideia estava madura para se tornar realidade e, para que se tornasse tal, eu cudei ininterruptamente deste trabalho de setembro de 1979 até hoje. Eis o Catálogo. Qualquer que ele seja ei-lo aqui. O primeiro catálogo de livros herméticos na Itália. Um início. Um convite para se fazer mais e melhor. Esperamos que sim. Mas catálogo como? Antes de mais nada uma característica distintiva: o catálogo é de livros meus, da minha biblioteca, reunidos durante sessenta anos, de 1921 até hoje. Procurando, viajando, remexendo, perguntando, trocando. Eu recolhia, muitas vezes eu comprava com sacrifício livros herméticos na Itália e fora, em Paris e especialmente em Londres. Naquele tempo ainda podiam ser encontrados facilmente e por pouco preço. Depois em 1939 eu tive uma grande sorte: a sorte de encontrar alguém que seria o meu melhor amigo por toda a vida, amigo e também colaborador solícito, generoso, mais ainda pródigo no procurar e comprar livros herméticos: Nino Rota.(3) Grande musicista, estudioso tácito obstinado e perspicaz de coisas herméticas. Nino tinha-me sido apresentado por Giacomo Borracci em Bari, onde tinha vindo para ensinar composição no Conservatório Niccolò Piccinini e onde ficou por toda a sua vida, mas morando saltuariamente. Muitas vezes os seus intensos compromissos musicais levavam-no para outros lugares e especialmente para Roma, onde eu estava, e então ficávamos sempre juntos. Livros e música, música e livros. Assim eu quis que o nome "Rota" ficasse perto de mim na dupla denominação da "Coleção Verginelli-Rota": por recordação, por reconhecimento, por homenagem. Livros herméticos antigos e livros herméticos modernos. Da Coleção dos livros herméticos antigos, quase quatrocentos (séculos XV-XVI-XVII-XVIII), eu doei à Biblioteca Nacional dos Linces juntamente com a Coleção de manuscritos antigos, mais ou menos sessenta, (séculos XV-XVI-XVII-XVII-XIX), dos quais alguns, aqueles do século XIII, são códigos em pergaminho, miniados, bonitos, todos a serem estudados. Para a datação destes manuscritos eu recorri à douta e preciosa e gentil Senhorita Alessandra Tommasi. De tal doação chegou até mim um agradecimento através de uma gentil e calorosa carta escrita em 6 de junho de 1984 pelo Presidente da Academia Nacional dos Linces Prof. Giuseppe Montalenti. Da coleção de livros herméticos modernos (séculos XIX-XX) mais ou menos dois mil, eu doei ao Círculo Virgiliano de Roma, fundado por Kremmerz. Doação ao Círculo Virgiliano feita com esta cláusula: que no caso deprecável mas possível, do fechamento do Círculo Virgiliano (não fechou, pelo menos oficialmente mesmo que aparentemente, na época do fascismo, quando os círculos esotéricos foram todos fechados porque eram confundidos com as lojas maçônicas, talvez por semelhança dos símbolos?), dizíamos, no caso de fechamento do Círculo Virgiliano, os últimos dirigentes do Círculo e a Assembleia dos Sócios doarão por sua vez a minha Coleção Verginelli-Rota de textos herméticos modernos à Academia dos Linces, reunindo-se assim à minha Coleção de textos herméticos antigos.
E voltemos ao Catálogo, ou melhor ao "Catálogo um pouco pensado", como preferiram chamá-lo. Poderá parecer provocatória a atenuação com "um pouco" mas não o é. Se o fosse, seria provocatória e presuntuosa também a qualidade do conteúdo e do assunto de todos estes livros, à qual leitura e à qual inteligência não a comum razão faz bem mas a inspiração de Hermes, como diriam os alquimistas simpatizantes do paganismo, ou o auxílio do Espírito Santo, como diriam os hermetistas católicos ou aparentemente tais, ou também a intuição, a menos que o "logos" de Heráclito se entenda identificado com o "logos" de Giovanni, como eu prefiro acreditar. "Nunc vero tempus est perficiendi". Apressemo-nos a terminar este meu longo mas modesto trabalho. Já está próximo "o dia que" diremos "adeus aos talvez nossos amigos" ou melhor: até logo. Chegou a hora de deixar-nos, caros leitores, cada um pelo seu caminho. Mais longo é o vosso, mais breve o meu. Ou talvez por um mesmo caminho para mim e para vocês, porque infinito. Qualquer que seja a meta é difícil dizer. De qualquer maneira eu acredito que seja digna de ser procurado. E que esta procura seja um dever para todo homem. Dever, também, é dizer e dar alguma coisa de si aos companheiros de viagem. De nós resta somente aquilo que damos aos outros. Por exemplo: doar esta ideia. A ideia de conceber a vida como transmutação perene do pior em melhor, em nós e em torno de nós. Ou, como diriam os alquimistas transmutação do chumbo em ouro alquímico puríssimo. Por virtude de Amor.

Post scriptum. Sabe-se que: os prefácios – e é correto – são escritos quando o livro já acabou ou quase. E pensamos nos amigos que ofereceram colaboração preciosa e afetuosa durante a composição. Por isso sinto o dever de dizer a eles publicamente muito obrigado também pela coragem que me transmitiram nos momentos de cansaço. Em primeiro lugar eu agradeço Giovanni Sergio, jovem médico e estudioso valente pela sua ajuda valiosíssima longa, cordial e continuada, sem a qual sinceramente eu não teria podido chegar nesta minha idade avançada no final deste meu livro. Agradeço também pela longa e paciente solicitude durante a atenta elaboração gráfica, datilográfica e tipográfica Concettina Scaramuzzi e Raffaele Gelone de Nápoles, Bruno Leuzzi da Universidade de Cosenza, Carlo Nuti da Universidade de Roma, Elio Moggia, Luigi Modesti, Angelo Cangemi, Natale Cecioni, Enzo e Rita La Russa todos simpaticamente envolvidos com as suas específicas contribuições não à "Fabbrica Sancti Petri" mas na fábrica incomum deste catálogo de livros antigos e tão misteriosos.
Igualmente eu devo o meu muito obrigado a Suso Cecchi d'Amico, iluminante conselheira e às gentis senhoritas Silvia Rota Blancheart e Vanna Rota Lombardi, primas de Nino Rota.
Vinci Verginelli


Fonte: http://luigi-pellini.blogspot.com.br/2014/12/vinci-verginelli-nino-rota-bibliotheca.html

(1) "Commentarium" era uma bela revista de Hermetismo que saía em Roma em 1910-1911, fundada e dirigida e quase toda escrita por Giuliano Kremmerz. Em pouco tempo começou a não ser mais encontrada, por minha iniciativa foi reeditada em Florença pelo Editor Nardini em 1980 como homenagem a Kremmerz no cinquentenário da sua morte. Também por minha inspiração foi reeditada pelo Editor Rebis de Viareggio em 1982 em cópia anastática a outra revista que saía em Nápoles nos anos 1897-1898-1899 intitulada "Il Mondo Secreto" igualmente fundada e dirigida por Kremmerz. Enfim em 1983 através de uma sugestão minha Nardini reeditou os três volumes que não se encontravam mais da revista "La Medicina Ermetica", que Kremmerz publicava em Nápoles em 1899-1900, quando fundou a "Schola Philosophica Hermetica Classica Italica", que identificava-se, e ainda hoje identifica-se, com a Fraternidade Terapêutico-Mágica de Myriam. Esta é operante em dois centros: em Bari sob o nome de "Academia Pitagora", como Kremmerz denominou-a e colocou para dirigi-la o seu maior discípulo Giacomo Borracci. O outro centro Myriâmico surgiu em Roma, e a este Kremmerz deu o nome de "Circolo Virgiliano" e colocou para dirigi-lo Giovanni Bonabitacola, ao qual sucederam Pietro Suglia e depois, ainda hoje, quem aqui escreve. Também em Nápoles, amada pátria de Kremmerz, durante séculos ininterruptamente centro ativo de estudos herméticos, surgiu, uma fundação kremmerziana, a Academia Sebezia, onde o Mestre colocou no comando Domenico Lombardi.

(2)A Biblioteca Filosófica de Florença foi fundada por Arturo Reghini em 1910. (ndc)

(3)Para Nino Rota para a sua obra musical, assim como para as relações comigo no campo musical como compositor de libretos de ópera, de oradores e de cantores, confrontar a bela monografia de Pier Marco dei Santi, da Universidade de Pisa, intitulada: La Musica di Nino Rota, prefácio de Federico Fellini, Editor Laterza, Bari 1983.

AS REGRAS DE OURO DA HERMETIC BROTHERHOOD OF LIGHT (H.B. of L.)

 

Comentário: Silêncio, o primeiro passo na Via Hermética

(na página Academias)


Accademie Hermetiche Kremmerziane Unite

última atualização agosto de 2016

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