DELEGAÇÃO LATINO - AMERICANA

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A doença como caminho


é incómodo porque arrebata ao Ser Humano a possibilidade de recorrer à doença como um álibi para a resolução dos seus problemas pendentes. Propomo-nos demonstrar que o doente não é a vítima inocente dos erros da natureza, mas antes o seu próprio carrasco.

(continua na pagina Kremmerz)


As profundezas da linguagem



Mesmo na agudeza de nosso pensar, sonhamos com a imensidão, com o oceano de possibilidades. Entretanto, sempre queremos definir, classificar, rotular, para compreender o universal em detalhes. Quando a realidade palpável, palatável, audível, nos limita nos entretantos complexos da existência, muitas vezes nos perdemos. Procuramos significado, encontrando brilhos ilusórios de Pirita e esquecemos que nas tradições ancestrais há vias que findam no sol feito minério, com reluzir verdadeiro, equilíbrio eterno em sua essência, retrato do ser primordial.

(continua na pagina Magnani)



O LIVRO DE TOTH





 

Sir Mortimer Wheeler, célebre arqueologista inglês, teria escrito :

“A arqueologia não é uma ciência, mas uma vindicta [vingança]

Em nenhuma parte, tal afirmação foi tão verdadeira como no domínio da arqueologia egípcia, onde se afrontam , ferozmente, os arqueologistas românticos e os arqueologistas clássicos. Para os arqueologistas clássicos , a arqueologia egípcia não apresenta nenhum problema e pode perceber-se nela uma passagem contínua do neolítico à uma forma de civilização mais avançada , passagem que se efetuou da maneira mais natural. Para os arqueologistas românticos , ao contrário , e para os investigadores independentes que não participam do clã da arqueologia oficial , a antigüidade do Egito é muito mais importante , e os problemas sem resolução muito mais numerosos do que se possa imaginar. Entre esses adversários da arqueologia clássica egípcia , cito dois nomes : René Schwaller de Lubicz e C. Daly King. O primeiro nasceu em 1.891 e faleceu em 1.961 , escreveu Aor , Adam , O Homem Vermelho (edição particular, fora de comércio ,1.925); A chamada do fogo ; Aor, sua vida, sua obra (edição particular, fora de comércio , 1.963); O rei da Teocracia faraônica ( Paris , Flammarion , 1.961 ) ; O milagre egípcio ( Paris , Flammarion , 1.963 ); O Templo do homem Apet do Sul em Luxor ( depósito de Dervy , Paris , 1.957,3 volumes); Estudo sobre o esoterismo e o simbolismo ( Paris , Colombe , 1.960) e diversos artigos nos Cahiers du Sud , em Marselha, notadamente no número 358. Foi primeiramente pintor, aluno de Matisse. Durante a Grande Guerra foi químico do Exército , e a química conduziu-o à alquimia. Formou , então , um grupo batizado com o nome de Fraternidade dos Vigias. Fazia parte , notadamente , deste grupo , Henri de Régnier, Paul Fort, André Spire , Henri Barbusse , Vincent d’lndy , Antoine Bourdel, Fernand Léger e Georges Polti.

No interior desse grupo , um círculo esotérico fechado , os Irmãos da Ordem Mística da Ressurreição , estudavam um certo número de problemas , entre eles o das civilizações desaparecidas. Schwaller de Lubicz , morando em Saint-Moritz e depois em Palma de Maiorca , e finalmente em Luxor, estudou os segredos egípcios.

Um certo número de egiptólogos , como Alexandre Varille , reuniu-se ao seu ponto de vista ; outros , ao contrário , opuseram-se a ele , violentamente , e uma vindicta surgiu , que dura até hoje.

Quanto a C. Daly King , é um sábio inserido na linha mais oficial , psicólogo materialista , autor de 3 tratados clássicos utilizados nas escolas dos Países anglo- saxões , Beyond Behaviourism ( 1.927) , Integrative Psycology ( em colaboração com W.M. e H.E.H Marston) (1.931) e The psychology of consciousness (1.932).

C. Daly King apresentou em 1.946 , em Yale , uma tese de doutorado em física sobre fenômenos eletromagnéticos que aparecem durante o sono. Depois, estudou os estados superiores da consciência , estados que estão sempre mais despertos que quando se está acordado normalmente , apresentando esse trabalho em outro livro clássico , The States of human consciousness ( 1.963 ) ( University Books , N.Y. , 1.963).

Faleceu quando corrigia as provas desse livro , e quando preparava uma importante obra sobre as ciências do espírito do antigo Egito.

O único ponto em comum , talvez, entre Schwaller de Lubicz e C. Daly King , é o nível elevado de seus conhecimentos científicos. Ora , esses dois espíritos tão diferentes se juntam em duas conclusões essenciais. Primeiro , a considerável antigüidade da civilização egípcia , mais ou menos 20.000 anos , talvez 40.000 ; por outro lado , o estado avançado dos conhecimentos do Egito Antigo , tanto no que concerne ao Universo exterior quanto ao espírito humano. Confrontemos esse ponto de vista com o da arqueologia oficial. De acordo com esta , há 6.000 anos os egípcios eram ainda Membros de tribos selvagens. Um intérprete sério e reconhecido pelos arqueólogos oficiais , Leonard Cottrell, no livro “ The Penguin Book of Lost Words ”, página 18 , escreveu : “ Alguma coisa aconteceu que , em tempo notadamente curto , transformou esse aglomerado de tribos semi-árabes que viviam às margens do Nilo , em um estado civilizado que durou 3.000 anos. Quanto à natureza daquilo que teria ocorrido , não podemos senão tentar adivinhar. Mas as provas arqueológicas nos fornecem vários indícios e podemos esperar que descobertas futuras preencham tais lacunas ”.

Os arqueólogos românticos e os arqueólogos dissidentes vão contra isso , dizendo que essa transformação brutal nunca se deu. Segundo eles , a civilização egípcia nada tem a ver com os primitivos que foram os seus contemporâneos, como os da Nova Guiné são , hoje , nossos contemporâneos. Segundo eles , as origens da civilização egípcia estão em alguma outra parte e não foram ali ainda encontradas.

A maior parte dos arqueólogos da África livre são dessa opinião , e alguns entre eles pensam mesmo que os antigos egípcios eram negros , e que é preciso buscar na África as origens secretas do Egito.

É a partir dessa hipótese de uma civilização pré-egípcia muito antiga que é preciso colocar-se para examinar o problema do Livro de Toth.

Toth é um personagem mitológico , mais Deus que homem que , por todos os documentos egípcios que possuímos, precedeu o Egito. No instante do nascimento da civilização egípcia , os sacerdotes e os faraós tinham em seu poder o Livro de Toth , constituído , provavelmente , de um rolo manuscrito ou de uma série de folhas que continham os segredos de diversos mundos e que davam poderes consideráveis aos seus detentores.

Em 2.500 a.C. , os egípcios já escreviam e faziam livros. Esses livros eram escritos em papiro. A palavra bíblia , que quer dizer livro , deriva do nome do porto de Biblos , no Líbano , que era o principal porto de exportação de rolos de papiro. Na literatura egípcia de 2.500 a.C. , já se encontram tratados científicos de medicina , textos religiosos , manuais e mesmo obras de ficção científica !

Em particular, a história das aventuras do faraó Snofru , pai de Quéops , é um verdadeiro romance de antecipação de invenções extraordinárias , de monstros e máquinas. Podería ser publicado em nossos dias.

O Livro de Toth devia , pois , ser um papiro muito antigo , recopiado secretamente muitas vezes e cuja antigüidade remontaria a 10.000 ou talvez 20.000 anos. Mas um objeto material não é de modo algum um símbolo.

Objeto material que se pode facilmente destruir no fogo. Vamos ver que foi exatamente isso que se deu.

Fixemo-nos primeiro no próprio Toth. É representado como um ser humano tendo a cabeça de um pássaro íbis. Tem na mão uma pluma e um palheta dessa tinta que se usa para escrever sobre pergaminho. O seus dois outros símbolos são a Lua e o macaco. De acordo com a tradição mais antiga , ele inventou a escrita e serviu de secretário em todas as reuniões dos Deuses.

Está associado à cidade de Flermópolis , da qual se sabe pouca coisa , e aos domínios subterrâneos dos quais se sabe menos ainda. Daqui por diante Toth será identificado com Flermes.

Transmitiu à humanidade a escrita , e escreveu um livro fundamental , esse famoso Livro de Toth , livro mais antigo entre os antigos , e que continha o segredo do poder ilimitado.

Uma primeira alusão a esse livro apareceu no papiro de Turis , decifrado e publicado em Paris, em 1.868. Esse papiro descreve uma conspiração mágica contra o faraó, conspiração que visava destruí-lo através de feitiçarias, à ele e à seus principais conselheiros, por meio de estátuas de cera feitas de acordo com a imagem de cada um (2). A repressão foi atroz. Quarenta oficiais e seis altas damas de Corte foram condenados à morte e executados. Outros se suicidaram. O livro maldito de Toth foi queimado pela primeira vez.

Esse livro apareceu mais tarde na História do Egito, entre as mãos de Khanuas, filho de Ramsés II. Ele tinha o exemplar original escrito pelo próprio Toth e não por um escriba. De acordo com os documentos , este livro permitia ver o Sol face a face. Dava o poder sobre a Terra , o oceano , os corpos celestes. Dava o poder de interpretar os meios secretos usados pelos animais para se comunicarem entre si. Permitia ressuscitar os mortos e agir à distância. Tudo isto nos é relatado nos livros egípcios da época.

(2) Princípio renascido no Voodu , aliás a má interpretação dos Rituais Egípcios antigos deu origem ao que hoje conhecemos como Ritos Africanos e do Caribe como Umbanda , Quimbanda , Candoblé e Vodu. Deu origem também a iconolatria e a iconomania ( adoração das imagens e figuras ) nas Igrejas modernas.

Seguramente, tal livro é um perigo insuportável. Khanuas queimou o original ou pretendeu fazê-lo. O mesmo texto , dizendo que esse livro foi destruído no fogo mas é indestrutível pois foi escrito com fogo , é contraditório. Mas essa “ desaparição ’’ não é senão provisória , se aconteceu. O livro reapareceu em inscrições sobre o monólito de Metternich , monumento que tem esse nome , pois foi oferta de Mohamad Ali Pacha a Metternich. Foi descoberto em 1.828 e data de 360 a.C. Na escala da História egípcia é um documento moderno. Parece que ele protege contra mordidas de escorpião, virtude dificilmente verificável , pois os escorpiões são raros na Áustria. Esse monumento representa , em todo caso , mais de trezentos Deuses , e entre eles os Deuses dos planetas ao redor de estrelas - não invento nada , a maior parte dos decifradores modernos do monumento de Metternich diz que ele interessaria a autores de ficção científica.

Toth , ele mesmo , anunciou sobre esse monumento, que queimou o seu livro e que caçou o demônio Seth e os sete senhores do mal.

Desta vez , a questão parece regulada. No ano de 360 a.C., o Livro de Toth foi solenemente destruído. Mas , entretanto , a história somente começou. A partir de 300 a.C., viu-se o aparecimento de Toth identificado desta vez com Hermes Trismegisto [ ou Trimegistus ], o fundador da alquimia. Todo mágico que se respeite , em particular na Alexandria , pretende possuir o Livro de Toth , mas nunca se viu aparecer o próprio livro : cada vez que um mago gloria-se de possuí-lo , um acidente interrompe a sua carreira.

Entre o começo do Século I a.C. e o fim do Século II d.C. , numerosos livros apareceram e constituíram juntos o “ Corpus Hermeticum ”. A partir do Século V, tais textos são colecionados e se encontram aí referências ao Livro de Toth , mas nenhuma indicação precisa para encontrá-lo. Os textos mais célebres dessa série chamam-se : Asclépio [ Asclépius ], Kore Kosmou e Poimandres. Todos se referem ao Livro de Toth , mas nenhum o cita diretamente nem dá meios de consultá-lo.

O Asclépio fornece , entretanto , estranhas imagens de poder das civilizações desaparecidas:

“ Os nossos ancestrais descobriram a arte de criar os Deuses. Fabricaram estátuas e como não soubessem criar as almas, chamaram os espíritos dos demônios e dos anjos e os introduziram graças ao mistério sagrado nas imagens dos Deuses, de maneira que essas estátuas receberam o poder de exercer o bem e o mal

Os Deuses egípcios e o próprio Toth teriam sido , assim , criados.

Criados por quem ? Isto não é dito. Pela grande civilização que precedeu o Egito.

Segundo o Asclépio , esses Deuses estavam presentes e ativos , ainda , no tempo de Cristo : “ Eles vivem em uma grande cidade nas montanhas da Líbia , mas não direi mais nada ”.

Esse conjunto de escritos herméticos pode ser encontrado, publicados por Nock e Festugière , no Corpus Hermeticum ( série Budé , Paris , 1.945 - 1.954 ). Mesmo considerados mais próprios da ficção científica, tais textos excitam a imaginação. Santo Agostinho e numerosos outros Teólogos e Filósofos por eles se interessaram.

Certamente são esses textos que propagaram o Livro de Toth. Este reapareceu com tanta freqüência do Século V da era Cristã até os nossos dias , que podemos perguntar como foi reproduzido antes da invenção da imprensa e da fotografia. A inquisição queimou-o pelo menos umas trinta vezes e seria preciso um livro para enumerar os acidentes bizarros que acontecem àqueles que pretendem possuir o Livro de Toth.

Seja como for, nunca o vimos impresso ou reproduzido de qualquer maneira. Uma lenda estranha começou a circular desde o Século XV. Segundo ela, a Sociedade Secreta que possuía o Livro de Toth vulgarizou um resumo dele , uma espécie de fichário acessível a todos. Esse fichário não é outro senão o famoso jogo de cartas conhecido como Tarot. Encontramos tal idéia pela primeira vez, expressa com todas as letras , em um livro de Antoine Court de Gébelin : “ Le Monde Primitif Court de Gébelin , homem de ciência, Membro da Academia Real de La Rochelle, publicou essa obra em nove volumes , de 1.773 a 1.783. Pretendeu ter tido acesso a um antigo livro egípcio que teria escapado da destruição de Alexandria , e declarou a propósito desse livro : “ Ele contém ensinamentos perfeitamente conservados sobre os assuntos mais interessantes. Esse livro do antigo Egito é o jogo de cartas - nós o temos nas cartas do baralho ”.

Essa passagem não me parece clara. O autor diz que já havia um jogo de cartas na Biblioteca de Alexandria ? Ou diz que um livro egípcio , escapado ao desastre de Alexandria , afirmava que o jogo de cartas era um fichário , um resumo dos ensinamentos do Livro de Toth ?

Não sei. É certo que o jogo de cartas tem sido objeto , na época moderna em particular, de estudos interessantes, entre eles aquele que ficou infelizmente inédito, o do pintor contemporâneo Baskine.

Para ficarmos no domínio dos fatos , podemos notar que aparece o jogo de cartas mais ou menos, em 1.100. Compreendia, e compreende ainda hoje, 78 cartas, e diz-se comumente que o jogo de 52 cartas para jogar e o jogo que serve para ler a sorte derivam dele. É uma idéia recebida, falsa como a maior parte da idéias recebidas.

Na origem , essas cartas se chamavam nabi , palavra italiana que quer dizer profeta. Não se sabe a origem da palavra “ tarot ”.

Pode-se manifestar o maior ceticismo diante da hipótese segundo a qual “ tarô ”, pronúncia francesa da palavra “ tarot ”, seria o anagrama de orta ou “ Ordem do templo

Com os anagramas chega-se a não importa onde. É possível que os templários tenham possuído e recebido cartas de jogo , mas nada prova que eles as tenham propagado por sua vez. O bibliotecário de Instrução Pública , sob Napoleão III , Christian Pitois , disse em sua História da Magia , surgida em 1.876 , que os mais importantes segredos científicos do Egito, antes da destruição de sua civilização, estão gravados nas cartas , e que o essencial do Livro de Toth aí se encontra.

Aceito-o , mas gostaria de dados mais precisos , mais convincentes. Nos símbolos bastante vagos como as cartas , pode encontrar-se e efetivamente se encontra , não importa o quê. Até nova ordem , pois esta história do Livro de Toth resumido pelas cartas me parece legendária.

No Século XVIII, qualquer charlatão que se preza dizia possuir o Livro de Toth. Nenhum o reproduziu e muitos foram mortos nas fogueiras da Inquisição por isto , até 1.825 ; em 1.825 , com efeito , a Inquisição queimava ainda na Espanha.

No Século XIX , como no XX , não faltaram charlatães que pretenderam , igualmente , possuir o papiro ou o Livro de Toth ( que acabou intervindo no célebre romance de Gaston Leroux , “ A poltrona mal-assombrada”).

Mas ninguém ousaria publicá-lo , pois os acidentes acontecidos a esses possuidores foram numerosos.

Se existe , como creio e como este livro tenta prová-lo , uma associação internacional de Homens de Negro , ela deve ser contemporânea de mais antiga no Egito , e exercer suas atividades desde então. Encontram-se referências sobre esse assunto em autores sérios como C. Daly King , que fez alusão a grupos contemporâneos possuidores e utilizadores dos segredos do Livro de Toth. C. Daly King pretendeu que Orage e Gurdjieff fazem parte de tais grupos. Não conheci Orage , mas conheci Gurdjieff, que era um farsante.

Nesse ponto , em particular , a boa fé de C. Daly King pôde ser enganada. Escreveu , entretanto , que não se pode chegar à consciência superior, segundo o método egípcio, somente pelo trabalho pessoal e, segundo ele , efetuar uma tentativa dessa natureza sem estar dirigido é extremamente perigoso. Isto pode ter as conseqüências mais graves , principalmente causar ferimentos.

Sempre , segundo ele , “ somente uma organização de pessoas qualificadas e eficientes pode ensinar essa técnica , é somente no interior de tal organização que a disciplina apropriada pode ser aplicada. Eu advirto o leitor de maneira mais séria para não tentar sozinho tais experiências. Entretanto, essa técnica constitui um meio prático para ativar a consciência humana ”.

Se tal organização existe , ela deve , necessariamente , possuir o Livro de Toth ou que o que resta dele. E se os egípcios aplicaram ao papiro as mesmas técnicas de conservação das múmias , não será absurdo pensar que um papiro tenha podido subsistir até o Século XIX , quando então podería ser fotografado. A menos que a organização em questão tenha conhecido a fotografia bem antes do Século XIX, o que não é possível.

Thurloe , o cunhado de Cromwell e chefe de sua polícia secreta , parece ter empregado em sua câmara escura uma técnica análoga à fotografia.

Pode-se decifrar esse texto? Voltamos à querela dos egiptólogos. Sax Rohmer escreveu a propósito dos egiptólogos oficiais: “ Se puséssemos todos eles a ferver e se fosse destilado o líquido assim obtido , não se extrairía nem um micrograma de imaginação Isto parece verdadeiro. Parece que houve , por volta de 1.920 , arqueólogos não-oficiais capazes , realmente , de traduzir hieróglifos. Schwaller de Lubicz teria recebido ensinamentos de tais especialistas. Se bem que, a priori, não se possa rejeitar a existência de um pequeno grupo , tão esperto em 1.971 d.C. quanto o fora em 1.971 a.C. , que possuiría alguns elementos da ciência secreta.

Eis , segundo C. Daly King , um exemplo dessa ciência secreta : “ No Egito , existiam verdadeiras escolas e a Grande Escola , a que ensinava nas pirâmides , era realmente séria. A sua especialidade era o conhecimento objetivo , real, do Universo real. E uma das possibilidades dada aos estudantes era a de , com o auxílio de um curso cuidadosamente estudado , utilizar as funções naturais mais insuspeitáveis de seu próprio corpo , para transformá-los , de seres sub-humanos que somos , em seres verdadeiros.

A Grande Escola chegara a uma ciência que não possuímos : era a ciência da óptica psicológica. Tal ciência permitia estudar espelhos que não refletiam senão o que era mau em um rosto que lhe era apresentado. Tal espelho se chamava ankh-en- maat, espelho da verdade. O candidato admitido na Grande Escola não via mais nada no espelho pois tinha-se purificado até a eliminação de tudo o que era mau nele. Tal candidato chamava-se Senhor do Espelho Puro ”.

Tudo isto mostra um saber avançado. Mas é compreensível que alguns pensem que a humanidade não está pronta para receber estes conhecimentos , e que uma organização de Homens de Negro faça tudo para impedir a publicação do Livro de Toth.

Até hoje parece que ela o conseguiu plenamente.

Como não sei o que esse livro contém , é-me difícil emitir uma opinião, receia-se que existam segredos realmente muito perigosos para serem conhecidos , e o da “ óptica psicológica ” me parece , realmente , fazer parte deles. Mas existem também supersticiosos e fanáticos.

Desses supersticiosos , e entre parênteses , assinalemos que foi feita uma estatística exata da duração média da vida de todos aqueles que participaram da abertura do túmulo de Tout Ankh Amon [ Tutankamon ] ; em média , as suas vidas foram mais longas que a de seus contemporâneos. Não admitamos sem verificação todas as histórias de túmulo maldito e de maldição do faraó. Mas o túmulo de Tout Ankh Amon foi inteiramente aberto.

De outro lado , um certo papiro egípcio que anuncia “ o conhecimento de todos os segredos do céu e da terra ”, não descreve mais que a resolução de equações de primeiro grau... É possível que os adversários do Livro de Toth dramatizem por demais a situação.

É possível, igualmente , que eles tenham razão.

O que é certo é que , se existisse uma tradução do Livro de Toth , com provas e fotografia do texto original, qualquer editor hesitaria, sem dúvida, antes de publicá-lo.

 

Jacques Bergier

 

ultima atualização fevereiro 2019

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